segunda-feira, 9 de abril de 2012

Onde está o problema?

“O Brasil é a referência de talento no futebol mundial.’ A frase dita pelo ex-jogador e hoje dirigente da Inter de Milão, o português Luís Figo, retrata o respeito que o mundo ainda tem pelo futebol brasileiro. Esse nível, claro, não foi conquistado por acaso. São cinco Copas do Mundo, o melhor jogador de todos os tempos, grandes times. O Brasil ajudou, e muito, a inserir a palavra arte no esporte mais popular do planeta.


Desde 1950, o país não joga um Mundial e passa sem ser percebido. Tivemos anos dourados com os esquadrões de 58, 62 e 70. As 24 temporadas seguintes não foram tão proveitosas para a sala de troféus da CBF. Apesar disso, a Seleção de 82, mesmo sem vencer, ganhou o prestígio que outras campeãs nunca tiveram.




Derrota em 82 mudou o destino da bola (Foto: site Placar)



A Copa dos Estados Unidos devolveu o Brasil ao topo do Mundo. O brilho, no entanto, não ficou pela beleza do espetáculo, mas sim pela eficiência da equipe. “Depois do tetra em 94, muito se valorizou a posição de volante, e nos últimos tempos a teoria de que não levar gols é mais importante do que procurar fazê-los”, afirma Conrado Giuliette, coordenador da equipe esportiva da rádio Estadão ESPN.


Os sistemas mudaram. O futebol mudou. Pela primeira vez, o Brasil venceu uma Copa com três zagueiros, em 2002. A formação tira um atleta do meio-campo. Abafa aquele que pensa, o armador, o organizador, o verdadeiro craque. “Quando um menino começa a se destacar, ele vai migrando de posição: ou recua, e vira volante, ou avança, e torna-se meia-atacante, como Kaká. A Argentina, por exemplo, mantém o sistema com o enganche, o 10 armador, em todas as suas equipes”, analiza Arnaldo Ribeiro, comentarista dos canais ESPN.


Talvez por isso, a ausência desse “cara” seja tão escancarada. Com isso, os clubes brasileiros buscam alternativas no futebol sul-americano. Nomes como Tevez, D`Alessandro, Montillo, Conca, Valdívia e Petckovic roubaram a cena e viraram protagonistas nos gramados daqui. Os exemplos não param por aí. Podemos listar Loco Abreu, Herrera, Guiñazu, Bollati, Pires, Marcelo Moreno, Miralles, Botinelli, enfim, diversos nomes que desembarcaram no país. Alguns com boa qualidade, outros nem tanto. Mas a realidade mescla dois fatores. A falta de qualidade no Brasil e a desproporcional diferença entre o poder econômico dos clubes brasileiros com relação aos times dos outros países da América do Sul.


O exemplo a ser seguido no momento está na Espanha. O Barcelona encanta pela posse de bola, pelo controle da partida, pela regularidade, pelo melhor jogador do mundo. Mas encanta ainda mais pela filosofia traçada há décadas. Trabalho que apresenta frutos. “A saída de Mourinho do Real Madrid causará mais estragos do que uma possível saída de Guardiola do Barcelona. No clube catalão, basta colocar um técnico que siga a filosofia implantada. No Real, o novo treinador terá de implantar a sua filosofia própria”, afirma Rene Simões, diretor técnico do São Paulo.


Rene fala com a esperança de um dia também se vangloriar de um fato com esse. Novo diretor técnico do São Paulo, o profissional iniciou um trabalho que visa unificar todas as divisões de base do clube, até chegar ao time principal. A expectativa é de resultado a longo prazo, mas “o exemplo Barça de ser” motiva. No jogo contra o Milan, pelas quartas de final da Liga dos Campeões, a equipe catalã entrou em campo com nove jogadores oriundos das categorias de base. Apenas o brasileiro Daniel Alves e o argentino Mascherano contrariaram a regra.



Messi é mais uma cria da base catalã (Foto: site Globoesporte.com)



“No Brasil, a formação já é errada por não se preocupar em formar homens e sim apenas jogadores. Assim, quando um atleta explode e vai para o exterior, acaba não dando certo. A formação cultural, o acompanhamento psicológico e a integração da família em todo o processo de formação são fundamentais. Aí é que está o problema”, finaliza William Tavares, apresentador dos Canais ESPN e da rádio Estadão ESPN

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