Receitas variam de acordo com a audiência (Foto: site Placar)O Brasil está em um novo patamar. Pelo menos dentro do futebol. Em poucos anos, as receitas dos clubes aumentaram muito. Se levarmos em conta apenas o dinheiro que entra pelos direitos de transmissão, os valores são muito elevados. O Corinthians, por exemplo, pulou de R$40,5 milhões para R$84 milhões de 2011 para 2012.
Só que a diferença, mesmo entre grandes times, também aumentou. A equipe do Parque São Jorge embolsa da Rede Globo R$29 milhões a mais do que Cruzeiro, Fluminense e Grêmio, clubes de tradição. A preocupação com esses números é grande. Transformar o Campeonato Brasileiro em um Campeonato Espanhol, em que dois times, Real Madrid e Barcelona, recebem mais da metade das receitas, mudaria o principal fator que diferencia a nossa competição: o equilíbrio. “O problema não é só o dinheiro que vem das emissoras, ou da emissora, melhor dizendo. Quem aparece mais, chama mais publicidade. Você prefere estampar sua marca na camisa de um clube que aparece quatro ou onze vezes na TV?”, indaga William Tavares, apresentador dos canais ESPN e da rádio Estadão ESPN.
Existe solução para o problema. A NFL, Liga de Futebol Americano, utiliza um método diferenciado e evita que os títulos fiquem monopolizados por algumas poucas equipes .“Na minha opinião, o movimento deveria ser parecido aos dos esportes americanos, mais especificamente a NFL, que dá mais dinheiro para quem fez pior campanha. Assim, os mais fracos podem investir mais e o campeonato ganha em equilíbrio técnico”, opina Conrado Giulietti, coordenador da equipe esportiva da rádio Estadão ESPN.
Mas uma boa administração pode levantar o potencial de um clube. Isso passa pela profissionalização de alguns departamentos. O principal é o marketing. A exploração da marca, a criação de programas de sócio-torcedor, o lançamento de produtos licenciados, a aproximação com grandes marcas que estiverem interessadas em investir no futebol, todos esses fatores dão ao clube uma receita alta.
O Internacional, de Porto Alegre, tem hoje 103 mil sócios. A meta da diretoria é chegar a 120 até dezembro. Através dessa renda, o clube conseguiu montar grandes times e vencer, duas vezes, a Libertadores da América, nos últimos seis anos. “O trabalho do departamento de marketing tem de extrapolar os limites do país. Eu vejo vários jovens com camisas do Milan, Arsenal, Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique. No exterior não acontece isso com os clubes brasileiros. Santos, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Internacional, têm de ser marcas mundiais”, diz William Tavares.
Campanha de sócio-torcedor bate recorde (Foto: site Internacional)Também através do marketing, nomes consagrados voltaram para o futebol brasileiro. O Corinthians inovou e apostou alto quando trouxe Ronaldo. Um grande plano foi montado. O Fenômeno ganhava um salário fixo, mas a maior renda vinha dos patrocínios secundários da camisa do Timão. Após a aposentadoria, Ronaldo continuou ligado ao clube, como uma espécie de embaixador, um cara que levaria o nome do Corinthians para o mundo todo.
Hoje, a principal ação é vista no Santos. O clube conseguiu manter Neymar. Assim como aconteceu com Ronaldo, o craque do Peixe também tem um salário definido, mas recebe a maior parte do dinheiro de outra forma. A imagem do atleta foi usada dessa vez. O Santos cedeu grande parte dos direitos de imagem para o próprio jogador, que fatura com programas de publicidade. Volkswagen, Nike, Panasonic, Red Bull, Tenys Pé Baruel, Lupo, Ambev, Claro, Unilever e Santander. Essas são as 10 empresas que fecharam contrato com Neymar e exploram a imagem dele. Tudo isso trabalhado com a 9ine, empresa de Ronaldo, que cuida da imagem de atletas.
